quinta-feira, 19 de maio de 2011

Walkiria La Roche

Walkiria La Roche é transexual, militante dos Direitos Humanos, coordenadora do Centro de Referência Homossexual de Minas Gerais e artista.

Fala Six

Estreia nesta semana a seção FALA SIX! Ela foi criada para permitir que representantes do segmento LGBT possam dar sua opinião sobre “como se veem representados pela mídia”. Para isso, convidados vão dar depoimentos sobre esse tema no Mídia Six.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Beijo gay: até agora nada


Já são mais de duas semanas prometendo o beijo gay. A cena do beijo entre as personagens vividas pelas atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre, da novela “Amor e Revolução”, segundo sites de entretenimento, já estaria gravada e estava prevista para ir ao ar há pelo menos, duas semanas. Dizem que de hoje não passa.

O beijo não foi ao ar, mas a polêmica, sim. A novela – e o beijo gay – são os assuntos do momento. Como já esperado, a cena foi adiada para segurar a audiência que o SBT vem conseguindo no horário. Ontem – dia em que o beijo seria veiculado – "Amor e Revolução" marcou uma média de 08 pontos, um a mais do que o da estreia. Cada ponto representa cerca de 60 mil domicílios assistindo à novela na Grande São Paulo.

O autor de novelas Aguinaldo Silva se manifestou no seu microblog (Twitter) sobre o tema: “Gente, não teve o beijo gay ontem no SBT! O autor da novela diz que foi ‘estratégia pra bombar a audiência hoje’. Será que foi estratégia mesmo, ou Silvio Santos fez: ‘ho-ho-ho, corta isso, sem essa de beijo gay’? Sei não, mas isso está me cheirando a 171. Na novela da Glória Perez foi a mesma coisa. Anunciaram até o fim, a novela bombou e cadê o beijo? Se o beijo gay rende audiência mesmo sem acontecer, então pra que mostrá-lo? É só anunciar que dessa vez vai ter e os otários caem no conto”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

História da imprensa LGBT no Brasil

A representação da figura do gay na imprensa brasileira precede o surgimento de publicações voltadas para o gênero. A primeira matéria considerada homoerótica brasileira é de 1914, com o conto “O Menino do Gouveia”, na revista Rio Nu.

Porém, as publicações da imprensa homossexual brasileira começam a ganhar destaque em um dos períodos de maior opressão e falta de liberdade da história do Brasil: Ditadura Militar (1965-1984). Existiram dois tipos de imprensa alternativa naquela época: um caracterizado nos ideais de valorização nacional, voltados à política. O segundo muito baseado nas críticas dos costumes e valores cultuados pela sociedade.

Apesar de ter alcançado maior repercussão no Período Militar, a imprensa “alternativa” tem seu início com o periódico Snob (1961), do Rio de Janeiro. Porém, este promovia muito mais um colunismo social do que um debate de ideias a cerca do tema. Em Salvador, na mesma época, surgiram também alguns periódicos, como o Little Darling (1970), que além do colunismo, trazia atrações culturais e acontecimentos, até fora da capital soteropolitana, voltados a este público.
Considerado um dos principais veículos, o “Lampião da Esquina” teve início na década de 70 e circulou até 1981, com 38 edições. O jornal tinha tom reacionista, com cartas contrárias a homófobos, por exemplo. Nas últimas edições, começou a publicar fotos eróticas. Percebam o editorial de “Lampião da Esquina”, em 1978.

“A idéia de publicar um jornal que, dentro da chamada imprensa alternativa, desse ênfase aos assuntos que esta considera ‘não-prioritários’ (...), mas um jornal homossexual, para quê? (...) nossa resposta é a seguinte: é preciso dizer não ao gueto e, em conseqüência, sair dele (...) e uma minoria, é elementar nos dias de hoje, precisa de voz (...). Para isso, estaremos mensalmente nas bancas do país, falando da atualidade e procurando esclarecer sobre a experiência homossexual em todos os campos da sociedade e da criatividade humana.” (LAMPIÃO, 1978).

O Lampião da Esquina assumia o discurso do orgulho das identidades homossexuais, buscando o lugar do gay dentro do panorama político do Brasil. Em relação às outras publicações da área, O Lampião não tinha linha editorial pornográfica, o que foi incrementado nos números finais do impresso. O Lampião transferiu o foco para a publicação de fotografias homoeróticas em um momento em que a indústria cultural produzia melhor e mais barato a pornografia.

DÉCADA 90 O aumento dos casos de AIDS no país possibilitou a abertura dos meios de comunicação para a discussão da sexualidade e, em particular, da homossexualidade. A revista Sui Generis foi talvez uma das primeiras a surgir nesta época, preocupando-se com temas que preocupassem os homossexuais.




Com o tema chamando maior atenção do público, alguns jornais começam, então, a produzir ao menos uma página semanal dedicada ao público GLS. É o caso da Folha de S. Paulo, que possuía uma coluna estritamente gay, depois ampliada para a página Noite Ilustrada, sob responsabilidade da jornalista Érica Palomino. Em Minas Gerais, o jornal O Tempo publica, aos sábados, a página Magazine GLS. Hoje, podem-se encontrar vários títulos específicos para o público GLS nas bancas (de revistas pornográficas e títulos voltados para drags e lésbicas), o que favorece a não homogeneizar o público, que é muito variado.


Por Gabriel Duarte