sexta-feira, 3 de junho de 2011
Mídia e Homofobia: entrevista com Bruno Leal
Por Gabriel Duarte
Entrevista com Silvana Mascagna
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Walkiria La Roche
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Beijo gay: até agora nada

Já são mais de duas semanas prometendo o beijo gay. A cena do beijo entre as personagens vividas pelas atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre, da novela “Amor e Revolução”, segundo sites de entretenimento, já estaria gravada e estava prevista para ir ao ar há pelo menos, duas semanas. Dizem que de hoje não passa.
O beijo não foi ao ar, mas a polêmica, sim. A novela – e o beijo gay – são os assuntos do momento. Como já esperado, a cena foi adiada para segurar a audiência que o SBT vem conseguindo no horário. Ontem – dia em que o beijo seria veiculado – "Amor e Revolução" marcou uma média de 08 pontos, um a mais do que o da estreia. Cada ponto representa cerca de 60 mil domicílios assistindo à novela na Grande São Paulo.
O autor de novelas Aguinaldo Silva se manifestou no seu microblog (Twitter) sobre o tema: “Gente, não teve o beijo gay ontem no SBT! O autor da novela diz que foi ‘estratégia pra bombar a audiência hoje’. Será que foi estratégia mesmo, ou Silvio Santos fez: ‘ho-ho-ho, corta isso, sem essa de beijo gay’? Sei não, mas isso está me cheirando a 171. Na novela da Glória Perez foi a mesma coisa. Anunciaram até o fim, a novela bombou e cadê o beijo? Se o beijo gay rende audiência mesmo sem acontecer, então pra que mostrá-lo? É só anunciar que dessa vez vai ter e os otários caem no conto”.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
História da imprensa LGBT no Brasil
Porém, as publicações da imprensa homossexual brasileira começam a ganhar destaque em um dos períodos de maior opressão e falta de liberdade da história do Brasil: Ditadura Militar (1965-1984). Existiram dois tipos de imprensa alternativa naquela época: um caracterizado nos ideais de valorização nacional, voltados à política. O segundo muito baseado nas críticas dos costumes e valores cultuados pela sociedade.
Apesar de ter alcançado maior repercussão no Período Militar, a imprensa “alternativa” tem seu início com o periódico Snob (1961), do Rio de Janeiro. Porém, este promovia muito mais um colunismo social do que um debate de ideias a cerca do tema. Em Salvador, na mesma época, surgiram também alguns periódicos, como o Little Darling (1970), que além do colunismo, trazia atrações culturais e acontecimentos, até fora da capital soteropolitana, voltados a este público.
Considerado um dos principais veículos, o “Lampião da Esquina” teve início na década de 70 e circulou até 1981, com 38 edições. O jornal tinha tom reacionista, com cartas contrárias a homófobos, por exemplo. Nas últimas edições, começou a publicar fotos eróticas. Percebam o editorial de “Lampião da Esquina”, em 1978.
“A idéia de publicar um jornal que, dentro da chamada imprensa alternativa, desse ênfase aos assuntos que esta considera ‘não-prioritários’ (...), mas um jornal homossexual, para quê? (...) nossa resposta é a seguinte: é preciso dizer não ao gueto e, em conseqüência, sair dele (...) e uma minoria, é elementar nos dias de hoje, precisa de voz (...). Para isso, estaremos mensalmente nas bancas do país, falando da atualidade e procurando esclarecer sobre a experiência homossexual em todos os campos da sociedade e da criatividade humana.” (LAMPIÃO, 1978).
O Lampião da Esquina assumia o discurso do orgulho das identidades homossexuais, buscando o lugar do gay dentro do panorama político do Brasil. Em relação às outras publicações da área, O Lampião não tinha linha editorial pornográfica, o que foi incrementado nos números finais do impresso. O Lampião transferiu o foco para a publicação de fotografias homoeróticas em um momento em que a indústria cultural produzia melhor e mais barato a pornografia.
DÉCADA 90 O aumento dos casos de AIDS no país possibilitou a abertura dos meios de comunicação para a discussão da sexualidade e, em particular, da homossexualidade. A revista Sui Generis foi talvez uma das primeiras a surgir nesta época, preocupando-se com temas que preocupassem os homossexuais.

Com o tema chamando maior atenção do público, alguns jornais começam, então, a produzir ao menos uma página semanal dedicada ao público GLS. É o caso da Folha de S. Paulo, que possuía uma coluna estritamente gay, depois ampliada para a página Noite Ilustrada, sob responsabilidade da jornalista Érica Palomino. Em Minas Gerais, o jornal O Tempo publica, aos sábados, a página Magazine GLS. Hoje, podem-se encontrar vários títulos específicos para o público GLS nas bancas (de revistas pornográficas e títulos voltados para drags e lésbicas), o que favorece a não homogeneizar o público, que é muito variado.
Por Gabriel Duarte
quinta-feira, 28 de abril de 2011
A mídia que você não vê: cobertura do “Beijaço”

O protesto, que começou às 12h, tinha como objetivo chamar atenção da população para a sexualidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e conseguiu, de fato, o destaque midiático solicitado, mesmo que de forma diferente em cada veículo.
Globo, Record, Band, Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia, Itatiaia e TV UFMG compareceram ao local. Apesar da luta contra a homofobia ter sido o principal objetivo da manifestação, percebia-se que a maior preocupação da imprensa era captar imagens de casais homossexuais se beijando. Nos primeiros 20 minutos do evento, programado inicialmente para durar apenas meia hora, repórteres, cinegrafistas e fotógrafos ficaram apreensíveis já que nenhum dos participantes havia trocado beijos e abraços até o momento. Gracielle Pouzes, estudante de Psicologia, percebeu a inquietação da imprensa em registrar a relação homoafetiva. “Eles estavam querendo filmar beijo, sem saber direito porque estavam aqui. A causa não ficou muito bem estabelecida”, comenta.
Entretanto, o estudante de Design de Moda e drag queen André da Silva - ou Malonna, personagem do jovem -, organizou os presentes no gramado da Reitoria e fez a contagem regressiva para o “beijaço”, aparentemente a pedido dos jornalistas.
De acordo com Silva, também repórter do Projeto D - programa independente que busca dar visibilidade à comunidade LGBT -, a imprensa deveria ter focado em cobrir a situação, o que não ocorreu, já que os veículos estavam indagando a validade da manifestação contra a homofobia. Além disso, o estudante aponta que a cobertura estava apelativa, mostrando o “gay folclórico”, como coloca, da mesma forma que a parada gay é noticiada, no sentido de fortalecer a imagem estereotipada do homossexual; como a alegria e as cores, características do movimento em geral.
Assim, os repórteres, segundo o estudante de Design de Moda, chegaram a perguntar sobre a proposta do evento, mas acabaram focando a cobertura nos “mitos fundadores” da comunidade LGBT. “Quando me viram vestido de drag, [os jornalistas] juntaram em mim. E depois quase suspiraram quando falei que era estudante de Design de Moda”, relata.
A falta de seriedade na cobertura da última quarta-feira também foi criticada pelos integrantes da causa, como o estudante de Artes Visuais Afonso Scliar. Segundo ele, a homofobia é um tema que precisa ser tratado com seriedade pela imprensa, já que é um assunto relevante, especialmente frente aos atos homofóbicos que permeiam o país. “Não adianta só sair a agressão contra gays na calourada de Letras, depois sair que tem um monte de gente se beijando no gramado da Reitoria e depois vem notícia de esporte”, constata.
Segundo o estudante de Artes Visuais, a imprensa aproveitou a recorrência do assunto na mídia, como os casos do deputado Bolsonaro e da ex-BBB Adriadna – transexual -, para abordar a manifestação de forma sensacionalista. Assim, deixa de mostrar algo sério que é a orientação sexual e acaba tratando o assunto de uma forma divertida, chegando a beirar o ridículo. “Não lembro de uma matéria dos grandes veículos de comunicação que tenha aprofundado no que diz respeito ao preconceito sofrido diariamente. Eu sou gay e conheço muitos casais gays e posso dizer que ninguém tem coragem de dar um beijo na rua. Isso não é sério?”
Apesar de também não concordar com a forma que a imprensa abordou o protesto, a estudante de Design de Produto Fernanda Siqueira, acredita que a cobertura é difícil, devido ao fato da causa ser urgente. “A homofobia acontece agora, não pode ser uma coisa deixada pra lá. Quanto mais divulga, mais deixa comum”, assegura.
Já o bancário Marcos Nicolau e seu namorado, o mestrando em Computação Pedro Silva, consideraram a cobertura tranquila. “Todos os veículos se aprofundaram na causa e de forma calma. Não foi nem um pouco agressivo, eles foram respeitosos, alguns até pediram autorização antes de tirarem fotos”, relata Marcos.
ANÁLISE A Rede Globo divulgou o evento em uma reportagem que foi veiculada no MGTV 2 e no Globo News. Apresentando uma cobertura completa em relação aos outros veículos, as repórteres Fabiana Almeida e Flávia Cristini conseguiram dar um tom de seriedade à matéria, ao trazer uma pequena retrospectiva de casos mais recentes de homofobia em Minas, como o episódio com o jogador do Vôlei Futuro, Michael e as agressões contra os quatro estudantes homossexuais na calourada do curso de Letras da UFMG. Além disso, apresentou também a posição da Universidade, que divulgou apoiar o “Beijaço”.
As entrevistas com os atacados, que tiveram as identidades preservadas, possibilitaram um maior entendimento da origem da iniciativa da manifestação, conforme dito anteriormente. O aprofundamento da Globo, que abriu espaço para estudantes e professores discutirem a causa, dando visibilidade para o protesto do Gudds, também fugiu do estereótipo ao retratar a comunidade LGBT.
Além disso, o “Beijaço” conquistou o destaque principal na seção de Notícias do portal G1, algo não esperado pelos participantes em geral. Afonso Scliar, por exemplo, ao ser perguntado sobre o que ele esperava da cobertura midiática adiantou que “certamente” não sairia na capa do jornal, ou com qualquer destaque maior, no caso das emissoras e dos portais de notícia. “Vai ser colocado como uma curiosidade, sem a seriedade que o assunto merece”, garante Scliar.

Percebe-se, assim, como a linha editorial de um veículo influencia de forma efetiva na construção da notícia. Ao contrário da Rede Globo e do jornal O Tempo, que divulgaram fotos explícitas do “beijaço gay”, ambos veículos buscaram ocultar essa realidade. Além de ter publicado uma nota com uma foto de estudantes heterossexuais segurando uma placa “#EuSouGay”, fazendo uma referência ao movimento que foi organizado nas redes sociais, a notícia não ganhou destaque, sendo publicada na página 18 do caderno Minas, em sua parte inferior.
Apesar de o jornal ter dado visibilidade, mesmo sendo pouca, ao evento, a reportagem exibida no MG Record desconheceu a manifestação, ao focar na proibição de festas no campus, consequência das agressões homofóbicas ocorridas na calourada no último dia 2 de abril, seguindo a linha de entrevistas da Globo com as vítimas da UFMG.
A Band também abordou a fundo a implantação de medidas de segurança no campus devido aos recentes surtos de violência na Universidade, mas em relação ao protesto em questão, divulgou apenas uma nota.
Os jornais O Tempo e o Estado de Minas inverteram a forma de abordagem da Band, apesar de terem dado pouco destaque à notícia, publicada em ambos em página par, buscaram focar no fato do “Beijaço” ser um ato a “favor da tolerância sexual”, como foi colocado no Estado de Minas.
A visibilidade dada ao movimento agradou André da Silva, que não esperava a sobriedade da imprensa frente ao assunto. “Fiquei bem tranquilizado com a diluição do teor folclórico”, declara.
Apesar da cobertura de vários veículos, apenas Globo, Band e O Tempo divulgaram imagens de beijos entre casais homossexuais. As emissoras de televisão Alterosa, Rede Minas e Rede TV não cobriram a manifestação.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Beijo gay na TV: é agora?

O (quase) beijo gay nas novelas já é polêmica desde 1988. Em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, as homossexuais femininas até passearam de mãos dadas, mas ficaram bem longe do beijo. Já em “Torre de Babel” (1998), o casal de lésbicas morreu na explosão de um shopping, supostamente pela falta de aceitação do público. Em “Senhora do Destino” (2004), as personagens apareceram seminuas na mesma cama, mas nada de beijo de novela.
Na atual novela da 21h, "Insensato Coração", da Rede Globo, o núcleo gay conta com vários personagens, mas Gilberto Braga, um dos autores, já avisou que não vai ter beijo. Já o SBT promete colocar no ar um beijo entre as atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre, na novela “Amor e Revolução”. A cena já estaria gravada e deve ir ao ar essa semana.
Muitos se perguntam se os telespectadores estão preparados para o tão falado beijo gay na TV, porém talvez fosse importante questionar se a mídia brasileira quer entrar num debate que gera polêmica – e arriscar-se a perder audiência.
Talvez a grande mídia brasileira não desrespeite o público GLBTT, mas também não parece contribuir da maneira que poderia para combater o preconceito. Algumas vezes colocar um casal gay numa novela serve mais para chamar atenção para polêmica do beijo do que para discutir os direitos dessas pessoas. E quando o beijo não acontece, pode não se correr o risco de perder telespectadores, mas abarcar no reforço do preconceito.
Se o beijo não ocorre e a justificativa é a falta de aceitação do público, pode parecer que toda a sociedade é contra os gays. Isso reforça o preconceito ao simplesmente tomar a posição daqueles que não aceitam, de fato, as demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo. E é bom ressaltar que não é a sociedade toda.
É bom lembrar que combater o preconceito deveria ser uma das responsabilidades da grande mídia. E das novelas, afinal o Brasil é famoso pelas tramas e até exporta por seus folhetins. Agora, é esperar e ver se o SBT vai mesmo levantar a bandeira colorida ou se só quer chamar atenção.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Lea T.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Entenda melhor a transexualidade
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Transexualidade na mídia: uma diferente - e interessante - forma de abordagem
Se por um lado algumas publicações da imprensa preferem especular sobre diversos fatos polêmicos do mundo das celebridades, a revista feminina Lola inovou ao dar voz a um de seus principais envolvidos. Na edição do mês de Março, há a publicação de uma carta, chamada “Dois Filhos em Um”. Quem assina a matéria é Toninho Cerezo, um dos maiores alvos sobre a polêmica envolvendo Lea T. Cerezo, de quem é pai. Fica a pergunta: o público que tem acesso à revista por coincidência tem a cabeça mais aberta em relação a questões de diversidade sexual, ou seria essa uma resposta natural para uma nova forma de abordagem do assunto nos grandes veículos? Comente o que você pensa, pois nós, do Mídia Six, queremos saber!

