
O (quase) beijo gay nas novelas já é polêmica desde 1988. Em “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, as homossexuais femininas até passearam de mãos dadas, mas ficaram bem longe do beijo. Já em “Torre de Babel” (1998), o casal de lésbicas morreu na explosão de um shopping, supostamente pela falta de aceitação do público. Em “Senhora do Destino” (2004), as personagens apareceram seminuas na mesma cama, mas nada de beijo de novela.
Na atual novela da 21h, "Insensato Coração", da Rede Globo, o núcleo gay conta com vários personagens, mas Gilberto Braga, um dos autores, já avisou que não vai ter beijo. Já o SBT promete colocar no ar um beijo entre as atrizes Luciana Vendramini e Giselle Tigre, na novela “Amor e Revolução”. A cena já estaria gravada e deve ir ao ar essa semana.
Muitos se perguntam se os telespectadores estão preparados para o tão falado beijo gay na TV, porém talvez fosse importante questionar se a mídia brasileira quer entrar num debate que gera polêmica – e arriscar-se a perder audiência.
Talvez a grande mídia brasileira não desrespeite o público GLBTT, mas também não parece contribuir da maneira que poderia para combater o preconceito. Algumas vezes colocar um casal gay numa novela serve mais para chamar atenção para polêmica do beijo do que para discutir os direitos dessas pessoas. E quando o beijo não acontece, pode não se correr o risco de perder telespectadores, mas abarcar no reforço do preconceito.
Se o beijo não ocorre e a justificativa é a falta de aceitação do público, pode parecer que toda a sociedade é contra os gays. Isso reforça o preconceito ao simplesmente tomar a posição daqueles que não aceitam, de fato, as demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo. E é bom ressaltar que não é a sociedade toda.
É bom lembrar que combater o preconceito deveria ser uma das responsabilidades da grande mídia. E das novelas, afinal o Brasil é famoso pelas tramas e até exporta por seus folhetins. Agora, é esperar e ver se o SBT vai mesmo levantar a bandeira colorida ou se só quer chamar atenção.
A TV americana foi além do beijo gay. No famoso seriado Sex and The City, a personagem Samantha teve um caso – com direito a cenas calientes – com a pintora brasileira Maria, interpretada por Sônia Braga.
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